Foto/reprodução: Curso “A importância dos processos de governança nos patrocínios culturais”.
A Escola Aberje de Comunicação, em parceria com a Petrobras, acaba de lançar uma iniciativa que promete elevar o nível dos investimentos culturais no Brasil. Estamos falando do curso A importância dos processos de governança nos patrocínios culturais, uma jornada essencial para quem atua ou deseja atuar com leis de incentivo e gestão cultural de forma estratégica e transparente.
Voltado para profissionais das áreas de comunicação, cultura, responsabilidade social, captadores e ESG, o curso busca fortalecer a governança nas ações de patrocínio e investimento social privado. Em três encontros online, os participantes terão acesso a temas como panorama global dos incentivos à cultura, boas práticas de gestão, estruturação de fluxos internos e mensuração de impacto.
A formação surge em um momento crucial, em que a cultura exige não apenas criatividade e sensibilidade, mas também comprometimento, visão estratégica e responsabilidade na aplicação de recursos. E é justamente esse o ponto de conexão entre empresas, patrocinadores e projetos que transformam territórios.
A seguir, vamos entender por que a governança é um dos pilares essenciais para o fortalecimento da cultura no país e como dados do Censo GIFE 2022–2023 mostram o cenário atual dos investimentos sociais no Brasil — incluindo a participação dos incentivos fiscais nesse ecossistema.
Participar do curso foi um choque de realidade (no melhor sentido)
Logo no primeiro módulo do curso da Aberje e Petrobras, percebi o quanto subestimamos o papel da governança nos patrocínios culturais. A gente fala de cultura, incentivos fiscais, projetos sociais… mas pouco se discute sobre o que acontece por trás das cortinas. E é aí que mora o risco — e também a oportunidade de fazer diferente.
Enquanto os instrutores Érika Morizono e Penélope Portugal conduziam o encontro, ficou claro que governança cultural não é burocracia, é compromisso com impacto. Entender o fluxo de decisões, saber o que avaliar num projeto, como mensurar os resultados, e principalmente, como garantir que o investimento chegue onde precisa chegar, é o tipo de conhecimento que muda o jogo.
Os dados só reforçam o que estamos aprendendo
Durante o curso, um dos materiais complementares foi o Censo GIFE 2022-2023 — e confesso: mergulhar nesses dados foi como ter um espelho sobre o que o setor cultural e social vive hoje.
O investimento social privado chegou a R$ 4,8 bilhões em 2022, e mesmo com um crescimento relevante no pós-pandemia, só 10% desse valor veio por meio de incentivos fiscais. Isso é pouco, considerando o potencial que temos de usar esses mecanismos como pontes entre empresas e transformações reais.
Outro dado que me chamou atenção: a maioria dos recursos ainda vem das empresas mantenedoras ou de fundos patrimoniais, mas o apoio institucional às organizações da sociedade civil cresceu — sinal de que há espaço para descentralizar e diversificar os apoios.
Como gerenciar aquilo que não se mede?
Como a gente pode esperar eficiência e transparência em patrocínios culturais se não sabemos exatamente o que estamos medindo?
Muitas empresas ainda se apoiam apenas em entregas simbólicas: número de apresentações realizadas, quantidade de público presente, cliques no release. Mas será que isso realmente traduz o impacto cultural e social gerado?
Governança também é mensuração. É entender se o que foi prometido foi cumprido — e mais do que isso, se gerou transformação. É uma questão de responsabilidade e respeito com todos os envolvidos.
Diversidade, propósito e prática
Um ponto sensível que virou pauta durante o curso e apareceu com força no Censo foi a baixa representatividade racial e de gênero nos conselhos deliberativos das organizações. Só 7% dos conselheiros são pessoas negras. E quando olhamos para a gestão dos recursos, apenas 12% passam por conselhos com maioria feminina ou paritária.
É impossível falar de governança e cultura sem encarar esse dado de frente. Afinal, como garantir projetos com impacto social se as vozes que decidem não representam a sociedade que queremos transformar?
Governança também é sobre quem decide, como decide e por que decide. E o curso deixa isso escancarado. Estamos falando de cultura como estratégia, mas também como reparação, como espaço para vozes plurais — e isso precisa refletir nas estruturas.
Governança não é tendência, é urgência
Esse curso me fez enxergar o patrocínio cultural com novos olhos. Não basta investir, é preciso acompanhar, avaliar, corrigir e aprender.
A responsabilidade de quem patrocina é tão grande quanto a de quem executa.
E se queremos um setor cultural fortalecido, com projetos que de fato gerem impacto, precisamos de mais do que boas intenções — precisamos de processos claros, práticas éticas e decisões conscientes.
Se você atua com incentivos fiscais, comunicação, cultura ou impacto social, recomendo fortemente acompanhar a Aberje e a Petrobras. É uma virada de chave.